Nunca te toquei. Nunca nos sentámos frente a frente a observar o tempo a passar, mas ainda assim, sinto como se já tivéssemos uma eternidade juntos. Entre nós existe um amor que nasceu entre palavras trocadas, olhares virtuais e silêncios cúmplices que nem mesmo a ausência física conseguiu calar.
É estranho e bonito ao mesmo tempo. Amarmo-nos assim, à distância, é como regar uma planta invisível – não a vemos crescer, mas sentimos que ela cresce e floresce. Em cada conversa mantida, existe um pouco mais de nós. Em cada mensagem trocada, existe uma promessa silenciosa de que estamos juntos, mesmo longe, mesmo sem toque.
É um amor calmo, que não grita, mas pulsa forte dentro de nós. Um amor que não tem o abraço, mas tem o consolo. Que não tem o beijo, mas tem a espera. Que não tem o calor da pele, mas tem o desejo genuíno de um dia ter tudo isso.
Por vezes, dói. Dói essa ausência do calor da pele, esse querer abraçar e só poder imaginar. Mas, ao mesmo tempo, consola-me saber que o que sentimos não depende do corpo, pois é maior do que ele. Vive nas entrelinhas, nos sorrisos que nos arrancamos mesmo através de uma tela, nas saudades de algo que ainda não vivemos, mas que já faz parte de nós.
Somos a prova de que o amor pode nascer onde não se toca, mas se sente. Que a ausência pode ser preenchida com presença emocional. E que, mesmo sem estarmos juntos, existe em nós um lugar que já é nosso.Quando nos encontramos, talvez o mundo pare. Ou talvez não, porque o mundo já parou no exato momento em que percebemos que era amor, mesmo sem nos ter.

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